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COLTRYP • Coleção de Trypanosoma de Mamíferos Silvestres, Domésticos e Vetores










Trypanosoma cruzi.
Foto: Marlon Vicente

A Coleção de Trypanosoma de Mamíferos Silvestres, Domésticos e Vetores (COLTRYP), é vinculada ao Laboratório de Biologia de Tripanosomatídeos e se dedica a contribuir para o avanço do conhecimento sobre a diversidade, biologia, ecologia e epidemiologia dos tripanosomatídeos, em especial do gênero Trypanosoma, por meio da conservação e caracterização de isolados provenientes de hospedeiros silvestres, domésticos e vetores.

Trata-se de uma das poucas fontes organizadas de amostras de isolados de Trypanosoma no Brasil, oferecendo suporte a pesquisas científicas, desenvolvimento tecnológico e ações em saúde pública. Os principais objetivos da COLTRYP incluem:

  • Estabelecer um repositório representativo da diversidade do gênero Trypanosoma;
  • Fomentar o intercâmbio científico nacional e internacional.

Atualmente, a COLTRYP é registrada na World Federation for Culture Collections (WFCC), sob o número WDCM 949.


Importância da COLTRYP

Apesar dos avanços no conhecimento sobre Trypanosoma cruzi, persistem desafios na representatividade dos modelos utilizados em pesquisa. A maioria dos estudos emprega cepas humanas mantidas por longos períodos em laboratório, o que pode comprometer sua representatividade devido às pressões seletivas associadas ao cultivo e estocagem. Essas práticas podem alterar características genéticas e fenotípicas dos parasitos.

Considerando:

  • A alta variabilidade genética e biológica dos tripanosomatídeos, especialmente do gênero Trypanosoma;
  • A diversidade de hospedeiros que esses parasitos podem infectar;

...surge a questão: até que ponto essas cepas amplamente utilizadas refletem a real diversidade do táxon?

Além disso, infecções mistas, caracterizadas pela ocorrência de mais de um genótipo ou espécie em um mesmo hospedeiro, são comuns na natureza, mas raramente consideradas nos modelos experimentais simplificados. A interação entre múltiplos parasitos pode alterar o curso da infecção, criando desafios adicionais para a compreensão da dinâmica parasitária.

Nesse cenário, a COLTRYP serve como uma infraestrutura para a pesquisa, oferecendo acesso a isolados que tentam ao máximo refletir a diversidade natural de parasitos.

Diferenciais técnicos da coleção

A COLTRYP mantém em seu acervo isolados vivos de tripanosomatídeos, conservados em nitrogênio líquido a -196 °C, o que garante a estabilidade genética e biológica dos microrganismos. Antes da criopreservação, os isolados são cultivados em meio axênico bifásico, composto por:

  • Fase sólida: meio NNN (Novy, McNeal e Nicolle) à base de ágar e sangue;
  • Fase líquida: meio LIT (Liver Infusion Tryptose) enriquecido com 20% de soro fetal bovino ou meio Schneider.

A COLTRYP segue metodologias padronizadas de preservação, alinhadas às práticas recomendadas pela rede CABRI (Common Access to Biological Resource Information).

Um dos principais diferenciais da coleção é a adoção de protocolos com o mínimo de passagens em cultura antes da criopreservação, visando preservar ao máximo a estrutura populacional original dos isolados. Essa prática reduz o risco de seleção de subpopulações adaptadas às pressões de cultivo a assegura que o material preservado reflete com maior fidelidade possível a composição do isolado no momento de sua obtenção.

Fotos: Gutemberg Brito


O acervo da COLTRYP

O acervo da COLTRYP reflete uma ampla diversidade ecológica, reunindo isolados provenientes de cinco dos seis biomas brasileiros: Mata Atlântica, Amazônia, Pantanal, Cerrado e Caatinga. Essa diversidade geográfica é acompanhada por uma notável variedade de hospedeiros. A coleção inclui isolados obtidos de mamíferos silvestres e domésticos, répteis e vetores da subfamília Triatominae.

Quanto aos hospedeiros vertebrados, os isolados da COLTRYP provêm de nove ordens taxonômicas:

  • Chiroptera (morcegos), com a maior representatividade no acervo;

  • Didelphimorphia (marsupiais neotropicais, como gambás e cuícas);

  • Carnivora (felinos, procionídeos e canídeos silvestres e domésticos, como quatis e cachorros-do-mato);

  • Primates (saguis, micos e bugios);

  • Rodentia (cutias, pacas e roedores silvestres dos gêneros Oecomys e Trichomys);

  • Cingulata (tatus, como o tatu-canastra e o tatu-galinha);

  • Artiodactyla (ungulados, como o javali);

  • Pilosa (preguiças e tamanduás, representados no acervo pelo tamanduá-mirim);

  • Squamata (répteis, com registro de um isolado da serpente urutu, Bothrops alternatus).

Além dos vertebrados, o acervo também inclui isolados obtidos de vetores da ordem Hemiptera, subfamília Triatominae, principalmente dos gêneros Triatoma e Rhodnius.

Capivara (Hydrochoerus hydrochaeris)
Foto: Marlon Vicente
Porco doméstico (Sus scrofa)
Foto: Fabiano Fernandes
Morcego (Artibeus sp.)
Foto: Marlon Vicente
Gambá (Didelphis marsupialis)
Foto: Marlon Vicente
Macaco Prego (Sapajus cay)
Foto: Marlon Vicente
Barbeiro (Triatoma sp.)
Foto: Marlon Vicente
Cachorro do mato (Cerdocyon thous)
Foto: Marlon Vicente
Jararaca (Bothrops sp.)
Foto: Marlon Vicente

Tatu canastra (Priodontes maximus)
Foto: Instituto de Conservação de Animais Silvestres-ICAS

Tamanduá bandeira (Myrmecophaga tridactyla)
Foto: Instituto de Conservação de Animais Silvestres-ICAS


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