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COLTRYP • Coleção de Trypanosoma de Mamíferos Silvestres, Domésticos e Vetores
As Coleções Biológicas de parasitas estão se mostrando cada vez mais importantes tanto para a pesquisa básica como para o desenvolvimento de tecnologia e inovação. Em relação ao Trypanosoma cruzi, embora muitas cepas sejam largamente utilizadas e consideradas como referência, não há nenhuma coleção bem estabelecida de isolados derivados de mamíferos silvestres de vida livre. Adicionalmente, a maioria dos estudos experimentais vem sendo conduzidos com cepas longamente mantidas em condições de laboratório, ou seja, submetidas às pressões seletivas inerentes aos métodos de passagens sucessivas, amplificação e estocagem. Há ainda que se considerar, a grande variabilidade genética, biológica e molecular, tão característicos do táxon que levanta a questão: serão os isolados habitualmente utilizados nos trabalhos realmente representativos do táxon?

Um segundo aspecto a ser considerado refere-se à mudança de perfil epidemiológico da doença de Chagas no país, em especial na Amazônia, expressos por numerosos casos de infecção pela via oral, embora em menor quantidade também pela via vetorial (triatomíneos invasores) que demanda um estudo das características das subpopulações do parasita como forma de contribuir para o conhecimento da epidemiologia e, portanto, do controle da doença.

O Laboratório de Biologia de Tripanosomatídeos, LabTrip, tem como principal objetivo contribuir para o conhecimento da dinâmica dos ciclos de transmissão silvestre de tripanosomatídeos, com ênfase nos gêneros Trypanosoma e Leishmania no ecótopo silvestre. Sendo assim, estuda os principais aspectos macro e microecológicos que possam interferir na interação desses parasitas com seus principais hospedeiros. Os reservatórios silvestres e vetores têm sido identificados e examinados em ecossistemas com características ecológicas distintas e os isolados obtidos dos animais infectados são caracterizados por parâmetros biológicos e moleculares e são criopreservados em nitrogênio líquido a -196°C pela Coleção de Trypanosoma de Mamíferos Silvestres, Domésticos e Vetores, COLTRYP.

A COLTRYP atualmente está filiada a World Federation for Culture Collections, WFCC, sob o registro WDCM 949.

Uma das principais características do acervo é que os isolados de T. cruzi são criopreservados logo após o isolamento do parasita com poucas passagens em culturas, o que mantêm sua estrutura populacional. Além disso, os seguintes serviços são oferecidos pela COLTRYP: i) isolamento, ii) identificação e/ou caracterização dos isolados de T. cruzi, iii) doação e deposito de isolados e iv) treinamento de recursos humanos.

O principal objetivo da COLTRYP é estabelecer um acervo de isolados representativos da diversidade do táxon T. cruzi obtidos de espécies de hospedeiros silvestres, domésticos e vetores. Atualmente, a COLTRYP tem isolados originados de sete ordens de mamíferos (Artiodactyla, Carnivora, Chiroptera, Didelphimorphia, Primates, Rodentia, Pilosa e Cingulata) e uma família de triatomíneos vetores (Reduviidae) provenientes de diferentes ecossistemas distribuídos nos principais biomas brasileiros como o Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Mata Amazônica e Pantanal.

Capivara (Hydrochoerus hydrochaeris)
Foto: Ana Maria Jansen
Porco Selvagem (Sus scrofa)
Foto: Rita de Cassia Bianchi
Morcego (Artibeus planirostris)
Foto: Ana Maria Jansen
Gambá (Didelphis albiventris)
Foto: Ana Maria Jansen
Mico-leão–dourado (Leontopithecus rosalia)
Foto: Rodrigo Mexas
Quati (Nasua nasua)
Foto: Fabiana Lopes Rocha
Tatu (Euphractus sexcinctus)
Foto: Ana Maria Jansen
Catalogação Informatizada da COLTRYP

A COLTRYP tem seu acervo on-line através do Sistema de Informação de Coleções de Interesse Biotecnológico, SICol, desenvolvido pelo Centro de Referência em Informação Ambiental, CRIA (Campinas, SP). A COLTRYP oferece acesso público (http://coltryp.fiocruz.br/index?catalogue) ao catálogo de isolados de Trypanosoma cruzi, incluindo informações biológicas, moleculares e geográficas referente ao material biológico, dando sustentação aos programas de pesquisa e inovação tecnológica, além de conferir grande visibilidade à Coleção e assim promovendo a colaboração com outros grupos de pesquisa no Brasil e exterior, incluindo a rede cooperativa vinculada ao programa ChagasEpiNet [Consórcio Internacional sobre Epidemiologia Comparativa de linhagens genéticas de Trypanosoma cruzi – Projeto financiado pela Comunidade Europeia (2009-2013)].



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